quinta-feira, 1 de julho de 2010

Memórias estressadas: Um pouco de agitação pode até fortalecer a memória. mas, depois de uma situação prolongada de stress, o cenário mental já não é tão satisfatório.

Para entender como o stress afeta a memória, vamos a alguns dados básicos sobre como as memórias são formadas (consolidadas), como são recordadas e como podem desaparecer.

A memória não é monolítica: pode ter vários "sabores". Uma dicotomia particularmente importante é a entre memórias de curto e longo prazo. Com a primeira, você lê um número de telefone, corre pela sala antes de esquecê-lo e martela os dígitos. Depois o número se perde para sempre.

Já a memória de longo prazo é a que você usa para se lembrar do que comeu no jantar de ontem, quantos netos tem ou onde fez a faculdade.

Outra distinção importante é entre memória explícita (também conhecida como declarativa) e implícita (que inclui um subtipo importante, a chamada memória processual), memória explícita se refere a fatos e eventos, ao lado de sua percepção consciente de sabê-los: sou um mamífero, hoje é segunda-feira, meu dentista tem sobrancelhas grossas.

Já as memórias implícitas processuais têm a ver com habilidades e hábitos, com fazer coisas mesmo sem ter de pensar conscientemente nelas: mudar as marchas do carro, andar de bicicleta, dançar foxtrote. Com prática suficiente, essas memórias podem ser transferidas entre as formas explícita e implícita de armazenamento.

Assim como existem diferentes tipos de memória, áreas distintas do cérebro estão envolvidas no armazenamento e na recuperação de informações. Um dos lugares críticos é o córtex, a enorme superfície cheia de circunvoluções do cérebro. Outro é a região espremida logo abaixo de parte do córtex, o hipocampo. Se quiser uma metáfora computacional totalmente simplista, pense no córtex como seu disco rígido, onde as memórias são guardadas, e no hipocampo como seu teclado, o meio que você usa para distribuir e acessar as memórias. Finalmente, estruturas do cérebro que regulam os movimentos do corpo, como o cerebelo, também estão envolvidas na memória implícita processual.

Agora, vamos aumentar a ampliação do nosso microscópio e examinar o que acontece no nível dos conjuntos de neurônios dentro do córtex e do hipocampo. O que sabemos é armazenado nos padrões de excitação de vastos conjuntos de neurônios - no jargão da moda, "redes" neuronais.

Tiramos partido dessas redes convergentes sempre que tentamos recordar uma memória que está na ponta da língua. Imagine que você esteja tentando lembrar o nome de um pintor, aquele cara, qual é o nome dele? "Era aquele cara baixinho com barba (ativando suas redes \\'cara baixinho\\' e \\'cara com barba\\'). Ele pintou aquele monte de dançarinas parisienses; não era o Degas (mais duas redes entram no jogo). Ah, lembra daquela vez em que eu estava no museu e tinha aquela gata que eu estava tentando paquerar na frente de um dos quadros dele... como era mesmo aquele trocadilho tonto sobre o nome do cara, aquele do nó no treco?". Com redes suficientes funcionando, você finalmente chega ao único fato que é a intersecção de todas elas: Toulouse-Lautrec.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/memorias_estressadas_3.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário